Propriedades das fibras têxteis

19 Mar

Classificação das fibras têxteis:

Podemos classificar as fibras têxteis em dois grupos principais:

– Fibras naturais (que se dividem em fibras proteicas e fibras celulósicas);

– Fibras químicas (que se dividem em fibras artificiais e fibras sintéticas).

FIBRAS NATURAIS

– Proteicas
Origem: animal
O nome proteica vem da palavra proteína, que é a substância básica das fibras de origem animal. Por isso quando esta fibra é queimada tem um cheiro muito característico a unha queimada.
Exemplos de fibras proteicas: lã, seda, moer, caxemira, angorá

Características gerais das fibras têxteis

As fibras têxteis são elementos filiformes caracterizados pela flexibilidade, finura e grande comprimento em relação à dimensão transversal máxima, sendo aptas para aplicações têxteis. Uma fibra para ser considerada matéria têxtil tem de obedecer a determinados requisitos:

– Ter um comprimento mínimo

– Ter uma resistência mínima

– Ter uma determinada extensibilidade

– Ter resistência a determinados agentes físicos e químicos

– Ter afinidade com para os corantes

– Ser produzida em quantidade apreciável e a preço razoável

Além destes requisitos as fibras têxteis devem ter as seguintes propriedades gerais:

– Forma, aspecto microscópico

– Dimensões (comprimento e finura)

– Densidade

– Comportamento com a humidade

– Propriedades mecano-elásticas

– Fiabilidade

– Uniformidade

– Lustro

– Cor

– Rigidez

– Resiliência

– Resistência à abrasão

– Propriedades eléctricas

– Propriedades térmicas

– Propriedades ópticas

– Comportamento à acção dos produtos químicos

Densidade das fibras

Densidade é a razão entre a massa de um determinado volume da substância e a massa de igual volume de água, isto é, o quociente entre a massa e o volume. Os valores das massas volúmicas podem ser determinados com uma grande precisão e por isso as fibras podem ser identificadas a partir das mesmas. O valor de massa volúmica da lã é de 1.32.

Comportamento das fibras com a humidade

As fibras têxteis absorvem mais ou menos humidade do ambiente que as cerca, ficando esta incorporada na sua massa. Diz-se então que uma fibra é mais ou menos higroscópica.
A Higroscopicidade é a capacidade de muitas fibras de absorverem a humidade. Por causa das características higroscópicas das fibras, a humidade penetra na matéria fibrosa, a fibra não dá a sensação de ser húmida ou mesmo molhada. A higroscopicidade e a capacidade de absorção da água das matérias têxteis são propriedades importantes para o aproveitamento e para o seu comportamento no tingimento e acabamento. A roupa de baixo deve ser higroscópica para absorver suor. No tingimento, a capacidade de absorções de água deve ser bastante alta. Roupas de protecção contra a chuva exigem alta higroscopicidade das fibras usadas, porém baixa capacidade de absorção do produto.

Em relação à natureza e origem da fibra existem fibras hidrófilas e fibras hidrófobas. As fibras hidrófilas, como a lã (que têm uma elevada capacidade de absorção), têm capacidade de serem higroscópicas enquanto que as fibras hidrófobas não têm capacidade de serem higroscópicas.

A humidade tem influência nas propriedades das fibras em geral, mas especificamente:

– No conforto dos tecidos durante o uso (a lã absorve humidade e liberta calor, razão porque de inverno se tem a sensação de agasalho com casacos de lã).

– Na resistência das fibras ou dos tecidos (há fibras em que a sua resistência diminui com a humidade, como é o caso da lã).

– Na elasticidade

– No encolhimento

– Na lavagem e secagem

– Na electricidade estática.

A Fibra da Lã

A palavra “lã” emprega-se para designar não só o pêlo dos ovinos, mas também o pêlo de certos animais equiparados, tais como: alpaca, lama, caxemira, cabra angorá, coelho angorá, vicunha, castor, guanaco e lontra. O carneiro é um ovino que apresenta características especiais consoante a sua raça e o seu habitat. Em consequência disso existem inúmeras variedades de lãs.

Introdução histórica

O homem primitivo cedo começou a apreciar o velo do carneiro para o seu vestuário, mesmo antes deste animal ser domesticado e apesar das suas fibras serem grosseiras e compridas. O carneiro foi um dos primeiros animais a ser domesticado, cerca de 4000 anos A.C.
Foi dos rebanhos transumantes que saiu a raça merina espanhola que mais tarde se espalhou por todo o mundo, nomeadamente para a Austrália e África do Sul, principais fontes actuais de abastecimento da indústria de lanifícios.

Principais países produtores de lã:

– Austrália;

– Rússia;

– Nova Zelândia;

– Argentina;

– África do Sul;

– Estados Unidos da América;

– Uruguai;

– Reino Unido;

– Brasil;

– Chile.

Tipos de lãs e suas origens

Lãs de Portugal:

Os ovinos estão espalhados por todo o Mundo. São muitas as raças que existem. Em Portugal também existem alguns tipos de ovinos:

– Tipo merino: existe principalmente no Alto e Baixo Alentejo, Estremadura, Ribatejo e Beira Baixa;

– Tipo cruzado: Existe principalmente no Minho, Beira Litoral, Beira Alta, Estremadura e Baixo Alentejo;

– Tipo churro: Existe no Algarve, Trás-os-Montes, Norte da Beira Baixa e Beira Alta.

Também se encontram no nosso País ovinos de raças estrangeiras (francesas, espanholas, inglesas), que foram trazidos para serem cruzados com ovinos portugueses a fim de se produzirem melhores lãs, velos mais pesados, melhores borregos ou mais leite.

O velo e suas principais características

O velo é o conjunto da lã que tapa o corpo do ovino, no todo ou em parte. Dá-se a mesma designação à totalidade da lã que se obtém da tosquia de cada animal. Nos ovinos de certas raças, o velo cobre o corpo desde o focinho até às unhas, ao contrário do que acontece com os de outras raças que não têm lã na barriga, na cabeça e noutras regiões do corpo.

Características mais importantes do velo:

– Homogeneidade ou uniformidade: um velo é tanto mais homogéneo quanto menor é a diferença de finura e de comprimento entre as fibras da sua lã. Os ovinos das raças mais apuradas são os que têm velos de lã mais igual.
– Densidade ou tochado: um velo é tanto mais tochado ou apertado quanto mais fibras tem por centímetro quadrado. O tochado aprecia-se pela dificuldade de penetrar a mão no velo e de comprimir as suas madeixas.
– Rendimento em lavado: É a relação entre o peso de uma lã em sujo e o peso da mesma lã depois de lavada e limpa.

Tosquia da lã

A tosquia consiste em cortar rente à pele a lã dos animais. É um trabalho de grande importância pois, se é bem feito, contribui muito para a valorização de lã, mas, se é mal feito, pode estragar um produto que demorou um ano a criar. A época do ano em que tem lugar a tosquia varia com as condições climatéricas, pois não convém descobrir o animal cedo de mais nem deixá-lo suportar o calor com o peso do velo. Em Portugal, decorre nos meses de Abril e Maio, estendendo-se para mais tarde, princípios de Junho, nas Beiras e Trás-os-Montes. A operação de tosquia é feita por homens muito experientes denominados tosquiadores.

A tosquia deve fazer-se em recintos apropriados que possuam mesas desbordadoras, depósitos para os velos e prensas de enfardamento. Há tesouras de tosquia manuais e tosquiadeiras mecânicas de comando manual e eléctrico. Para se efectuar a tosquia, os animais devem ser abrigados da chuva desde a véspera, porque a tosquia com a lã molhada é difícil de executar. O tosquiador deve ainda separar antes do início da tosquia, as marcas de tinta que é costume aplicar nas ovelhas a fim de as identificar. Tira-se numa só peça o velo e seguidamente tiram-se todas as outras partes que não devem ficar junto do velo, ou seja: a cabeça, a barriga, a cauda e madeixas queimadas pela urina.

A lã é a fibra animal que constitui a cobertura protectora externa dos ovinos. Assim, a lã ajuda a conservar a temperatura do corpo e, juntamente com o ar que está entre as suas fibras não deixa arrefecer a pele. A fibra lanar é formada de raiz e haste ou coluna.

Componentes fundamentais da fibra de lã:

Morfologia:

A fibra de lã consta de três partes perfeitamente diferenciadas, com distintas propriedades:

– Cutícula (formada pelas escamas características que envolvem a fibra e dispostas como as escamas de um peixe. A cutícula protege a fibra dos agentes exteriores e a sua parte externa ou epicutícula é muito resistente ao ataque químico);

– Cortex (parte principal da fibra de lã, ocupando aproximadamente, 90% do total da mesma e dele dependem a maioria das suas propriedades: resistência, elasticidade, propriedades tintoriais, etc);

– Medula (canal central que se apresenta em certos tipos de lãs e está formada por células medulares de diferente natureza que as do cortex, apresentando-se em geral em lãs médias ou grossas. A presença das fibras meduladas numa lã cria problemas de tingimento).

Composição Química

  • Carbono (50%)
  • Hidrogénio (7%)
  • Oxigénio (22/25%)
  • Nitrogénio (16/17%)
  • Enxofre (3/4%)

A fibra de lã está composta por queratina que é uma proteína rica em enxofre, elemento que não se encontra em qualquer outra fibra.

Propriedades e características da lã

– Cor
– Lustro
– Resistência
– Elasticidade
– Propriedades eléctricas
– Rigidez
– Feltragem
– Recuperação de humidade

Muitas destas características variam de raça para raça, de animal para animal dentro da mesma raça, e no mesmo animal variam com a zona do velo.

Finura: espessura da fibra da lã. O fio fabricado de qualquer quantidade de lã tem tantos mais metros quanto mais fina for a lã. Por isso, a lã fina é de maior valor. O diâmetro das fibras de lã varia grandemente, até dentro do mesmo velo. Estas variações são causadas em parte pelas alterações fisiológicas nos animais devido à nutrição, gestação ou doenças. O comportamento técnico da fibra depende grandemente da sua finura.

Comprimento: Na fibra de lã temos de considerar o comprimento aparente, ou seja, o comprimento sem perda do seu ondulado natural e o comprimento real, isto é, depois da fibra esticada. Ao falarmos no comprimento de uma lã referimo-nos sempre ao real.

Cor e brilho: A cor da fibra de lã pode variar do branco quase puro até ao amarelo, mas o mais frequente é que se apresente num tom marfim após a sua limpeza. Antes do seu processo industrial, algumas lãs devem branquear-se por processos químicos enquanto outras primitivamente brancas ou quase brancas, devido a alterações sofridas durante a armazenagem ou processo de fabricação, requerem o branqueamento no decurso do processo de fabrico. Em geral, o amarelecimento da lã é indício da degradação da mesma, pelo que se devem tomar todas as precauções possíveis para evitar este defeito sob pena de se desvalorizar a matéria-prima e de esta perder de resistência, tacto, afinidade tintorial, etc. A fibra de lã é mais ou menos brilhante segundo a estrutura escamosa externa. As lãs finas e muito frisadas são pouco brilhantes e as grossas pouco frisadas e com escamas aplanadas serão muito mais brilhantes.

Carácter Anfotérico da lã: A fibra de lã poderá comportar-se como ácido se a pusermos em condições em que fique bloqueada e incapaz de reagir os grupos de carácter básico. Pelo contrário, se conseguirmos inibir a acção dos ácidos, deixaremos livres os grupos básicos para actuarem como bases. Diremos assim que a lã apresenta carácter ANFOTÉRICO.

Frisado (ondulação): As fibras de lã apresentam uma certa ondulação natural que varia com as raças do animal, com o habitat, etc…A qualidade de uma lã está relacionada com a respectiva ondulação. Em geral, as lãs mais finas são as mais onduladas. A regularidade do número de ondulações por cm implica regularidade no crescimento da fibra. O ondulado da fibra contribui para o seu toque “cheio” e para o seu comportamento na transformação fabril, daí que, na fabricação das fibras sintéticas é hábito imprimir-se-lhes um certo frisado a fim de imitar o ondulado natural da fibra de lã.

Resistência à rotura: A fibra de lã possui uma resistência não muito elevada. Contudo é suficiente para as aplicações a que se destina compensando este valor não muito elevado com uma preciosa propriedade que é a sua elasticidade.
Elasticidade: Dizemos que um corpo é elástico quando tem a capacidade de voltar ao comprimento inicial após ser estirado. A capacidade de extensão que possui a fibra de lã ao ser submetida a uma carga e a sua aptidão para recuperar o estado inicial uma vez que cesse a carga, é de grande interesse uma vez que ao longo do seu processo de fabricação está submetida a fortes tracções.

Feltragem: Quando a lã na forma de rama, fio ou tecido se aperta e comprime, enquanto está impregnada com uma solução adequada (neutra, alcalina, ou ácida) formando um conjunto compacto com as fibras aderidas entre si, originando um todo fechado, embora poroso, em que as fibras se agrupam de uma forma consolidada umas contra as outras, dizemos que a lã feltrou. A Feltragem é uma característica típica e única da lã, visto que só esta fibra a possui naturalmente. A feltragem é uma forma de encolhimento irreversível e os tecidos ou malhas perdem comprimento e largura, mas ganham espessura. Também a aparência superficial dos tecidos e malhas é modificada, tornando-se incaracterística, isto é, o ponto ou estrutura deixa de se notar. A feltragem é uma propriedade importante para a fabricação de feltros de lã, de flanelas de lã, e usada sob controlo é indispensável como elemento de ligação no acabamento dos tecidos de lã. A operação de acabamento chama-se “batanagem”. Para realizar a batanagem são indispensáveis três factores :

– Calor;
– Humidade;
– Compressão

Além destes factores imprescindíveis na feltragem, existem outros que condicionam o processo e que são o pH do banho, produtos utilizados, máquina, tipo de lã, características de construção dos fios e tecidos, operações a que o tecido fora previamente submetido, etc.

Propriedades da lã

Recuperação de humidade: A lã é a fibra mais higroscópica que se conhece, podendo absorver maior quantidade de água que as restantes fibras naturais e artificiais. As características higroscópicas da lã contribuem para a sua excelência como fibra de artigos de vestuário e para o seu comportamento na técnica da transformação.

Propriedades eléctricas: A lã é má condutora da electricidade e portanto carrega-se de cargas eléctricas durante o seu processamento. Contudo, é possível torná-la mais ou menos boa condutora, por aumento da humidade do ambiente, visto ser uma fibra higroscópica. A lã é resistente à electricidade estática graças ao seu elevado nível de humidade.

Condutividade térmica: A lã apresenta má condutividade térmica, sendo que o ar aprisionado entre as fibras explica as excelentes propriedades de conforto térmico dos tecidos de lã, quando se passa de um ambiente quente para um ambiente frio. A lã, ao absorver humidade, liberta calor. Assim, quando uma pessoa veste um artigo de lã, ao passar de um ambiente quente e seco para outro frio e húmido, o calor libertado pela lã impede uma transição brusca. Por outro lado, os artigos de lã não aderem ao corpo, como as outras fibras humedecidas pela transpiração. São estas qualidades e outras que fazem com que a lã seja considerada de alta qualidade como artigo de vestuário.

Propriedades mecano-elásticas:

A lã apresenta:

– Baixa resistência, mas grande extensibilidade;

– Excelente recuperação de rugas/vincos;

– Alta maleabilidade, fiabilidade, plasticidade e resiliência (capacidade que uma fibra tem de voltar à sua forma inicial após compressão, dobragem ou qualquer outra deformação similar)

– Baixa resistência à abrasão e ao desgaste.

Propriedades ópticas: A lã sofre alterações na sua composição química pela acção da luz devido à libertação de enxofre e formação de ácido sulfúrico. Por esta razão a lã insolada apresenta comportamento diferente de uma lã normal quer no que respeita á sua afinidade tintorial quer nas suas propriedades mecano-elásticas.

 

Para mais informações: http://www.scribd.com/doc/55255135/57/Propriedades-e-caracteristicas-da-la

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