HISTÓRIA da Lã

17 Mar

10.000 a.C.: A ovelha começou a ser domesticada e explorada  na Ásia Menor durante a Idade da Pedra.  A carne era a parte deste animal mais apreciada. No entanto, começaram também a aproveitar o seu leite para beber e  para produzir queijo. A sua pele era usada para o fabrico de couro. Na época o animal caprino não tinha tanto pêlo como hoje o conhecemos;

6.000 a.C.: Foram encontrados tecidos de lã em Çatal Hüyük na Anatólia com esta data. Também existem evidências que na mesma época, a lã já era conhecida na Babilónia. Não muito mais tarde as pessoas começaram a utilizar a única fibra que acompanhava a pele da ovelha, a lã. Reparam nas diferenças de pêlo de algumas ovelhas, então apostam na reprodução das de pêlo de melhor qualidade para ser fiado. Algo, que levou muito tempo a ser conseguido mas, por volta de 5000 anos a.C. já existia pelo apropriado para tal atividade;

  •  O calor providenciado pela roupa de lã e a mobilidade da ovelha permitiu à raça humana espalhar a civilização muito para além da Ásia menor;
  • Foi encontrada, uma estatueta de 46 cm de altura, mostrando um carneiro de cabeça e pernas de ouro, barriga de prata coberto de lã condecorado por conchas e lápis-lazúli (rocha) colados com betume. Era a figura de uma divindade.

Entre 3.000 e 1.000 a.C.: os perças, gregos e romanos deram a conhecer a ovelha à europa, ao mesmo tempo que esta indústria crescia cada vez mais. Enquanto isto, os romanos  construíam o seu império.

1000 a.C.: quando os romanos ocuparam as ilhas Britânicas, encontraram na região, rebanhos ovinos, que já estavam a ser domesticados pelos habitantes locais. Estes animais eram tosquiados regularmente e os seus fios usados para no fabrico de fardas. Adquiriram alguns artigos e levaram para Roma onde obtiveram sucesso. Os comerciantes voltaram às ilhas e incentivaram a instalação de indústrias de artesanato para produzir mais artigos de lã.

  • A lã tinha muitas vantagens sobre as fibras vegetais. Era mais fácil e rápido de fiar do que o linho e o algodão. Era  também mais quente do que estes dois (o que pode ser uma desvantagem em alguns países) e mais fácil de tingir. A lanolina fá-la impermeável, logo, é uma boa fibra para o abrigo da chuva..

Século VIII: Os povos  nómadas da Arábia-Saudita, conquistaram a Espanha e logo, começaram a exportar lã para o Norte de África, Grécia, Egipto e Constantinoplia.

Até 1786: Espanha aplicava pena de morte a quem fosse apanhado a exportar ovelhas. Nesse ano Louis XVI importou para Rambouillet no norte de França 386 ovelhas Merino para um cruzamento de raças. A raça resultante tornou-se muito valiosa até aos dias de hoje.

século XII: Tal como Espanha, Inglaterra fechou as fronteiras para impedir a exportação de lã. Este tipo de comércio prosperou até o século XII, quando a Inglaterra dominou o mercado de lã e o centro da actividade era a cidade de Winchester.

  •  Em Inglaterra a produção de lã era artesanal e praticada em sistema familiar. Umas pessoas tosquiavam, outras lavavam, cardavam, tingiam e outras penteavam, preparando os fardos para vender aos comerciantes holandeses e flamengos.

Ano de 1336: o rei Eduardo III, “o comerciante real de lã”, proibiu as exportações de lã da Inglaterra. Tal acontecimento surgiu devido à existência de intermediários dos comerciantes que percorriam o interior da Inglaterra  adquirindo fardos e acumulando em armazéns alugados nos principais portos, quantidades suficientes para serem carregados nos navios. Este comércio propiciava muito lucro para os comerciantes alertando os próprios fornecedores ingleses que passaram a comercializar directamente os seus fardos, como também a produzir os próprios tecidos para serem vendidos.

Ano de 1377: o rei inglês Eduardo III proíbiu a importação de tecidos e a tecelagem doméstica de lãs estrangeiras.

Anos 1509 a 1547: deu-se o pico  do “império da lã” durante o reinado de  Henrique VIII, embora, a pele de ovelha já fosse usada na Grã-Bretanha desde a Idade do Bronze (3000 a.c). Este foi o rei que acabou com os rebanhos dos mosteiros o que provocou desemprego e imigração de muitas pessoas para os Estados Unidos da América.

Século XVII: a lã continuava a ser a principal riqueza da Inglaterra já que, a exportação do material constituía dois terços dos negócios entrageiros da Inglaterra e, a sua produção e comércio ocupavam grande parte da população. As cidades de Leeds, Halifax, York e dezenas de outras na região, viviam em função dos lanifícios.

 Ano de 1665: O rei George III de Inglaterra tenta desencorajar ameaçando os fabricantes da indústria de lãs nas suas colónias (Estados Unidos da América) com graves punições sem grande sucesso. As tradições e o folklore cresceram  nesta indústria na América do Norte.

Ano de 1666: Para aumentar o consumo de tecidos de lã, um decreto de Carlos II, da Inglaterra (1630-1685), estabelecia que todos os defuntos do seu reino deveriam ser sepultados vestindo mortalhas de lã.

Ano de 1710: Para incentivar a produção local, Portugal proibiu que o fardamento dos militares fosse confeccionado com lã importada.

Século XVIII: com a Revolução Industrial, foram desenvolvidos equipamentos para tecelagem, permitindo a produção em larga escala e a diminuição dos custos. A invenção da lançadeira volante, criada em 1733, por John Kay, conseguiu duplicar a velocidade do trabalho. Depois, vieram a roda saxónica, a máquina de fiar de Wyatt e Lewis Paul e a de Hargreaves em 1764, que aumentaram em muito a eficiência da tecelagem da lã.

  • Nesta altura, Inglaterra confirmou a sua posição de ser a principal fornecedora mundial de tecidos de lã.

Ano de 1797: Com o aumento do volume de produção faltava matéria-prima para o número de teares. Então, os ingleses enviaram para a Austrália (uma das suas colónias recentemente descobertas) dois carneiros e quatro ovelhas da raça Merino. Em menos de um século, já se contava  um rebanho de 100 milhões de cabeças.

século XIX: A criação de ovinos para a produção de lã desenvolveu-se bastante também na Nova Zelândia, África do Sul, Argentina e Uruguai.

Até 1810: A Argentina e o Uruguai viviam sob o domínio da Espanha, não sendo permitida a criação de ovinos para a produção de lã. Os espanhóis queriam proteger os seus criadores, pois a sua produção de lã em Espanha era muito mais cara e se as importações fossem liberalizadas o produtor local seria prejudicado. Quando a Argentina se tornou independente a produção de lã foi uma das primeiras atividades a ser incentivada, vindo depois o país a tornar-se também um importante exportador de lã – maioria para Inglaterra.

A ovelha espalha-se pelo mundo já que consegue sobreviver comendo ervas daninhas (entre outros tipos de vegetação) que a maioria dos animais não consegue aproveitando uma fonte de proteínas num grupo de recursos naturais que de outra maneira seriam desperdiçados.

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